Peu Robles. Tem um pouquinho de Thomaz Farkas nos temas, e outro pouquinho de Cristiano Mascaro nos contrastes. Às vezes, a imagem parada, calma, pensada, racional. De composição perfeita, cartesiana e cartiersiana. Outras vezes, a cena da rua. Corrida, borrada, ligeiramente fora de foco. Pinta verdadeiros quadros de claro e escuro, talvez por isso mesmo já tenham o chamado “menino-luz”.
Aqui, vamos apresentar três fotos acompanhadas de um texto por semana. Serão como os três terços de uma imagem, que formam quatro pontos-ouro. O texto será a quarta parte da imagem. Nessa dança-conta-poesia, de 3 fotos com o 4 do texto chegamos ao número 7, os dias de intervalo entre as postagens.
Mais do que postar fotos e comentá-las, vamos contar histórias. Será um trabalho conjunto do menino-luz com a menina-letra. Fotógrafo e repórter se juntam para contar e esmiuçar as cenas do cotidiano. Mostram, com imagens e palavras, aquilo que está bem debaixo do nosso nariz, mas que pode passar despercebido, na correria do dia-a-dia.
Espero que o quarto que me pertence, o texto, chegue à altura do brilho das fotos. Tentarei, como disse Haroldo de Campos, “na malícia da maestria, no matreiro da maravilha, no visgo do improviso, tanteando a travessia”.
Paula Sacchetta, jornalista
Peu Robles, fotógrafo