Incerteza.

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June 22nd, 2012
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A Praça Tahrir, onde o clima foi de festa durante a semana, transformou-se em palco de protesto e revolta no fim-de-semana. Há uma piada circulando no Cairo que diz que todos estão felizes no Egito: os contra Mubarak porque ele está morto, os pró-Mubarak porque ele está vivo, os partidários de Shafiq porque ele ganhou as eleições e os de Morsi porque ele ganhou as eleições. Ou seja, na piada todos estão felizes. Mas na verdade, o clima é tenso e de profunda incerteza.

As eleições acabaram há quase uma semana e até agora a Junta Militar só posterga a divulgação do resultado oficial. Durante a semana, a Praça Tahrir ficou em clima de festa, principalmente por conta dos partidários de Morsi, que declarou vitória extra-oficial.

Milhares de pessoas de várias cidades do país responderam ao chamado da Irmandade Muçulmana nessa sexta-feira e lotaram a praça Tahrir, na capital do Egito. Eles protestam contra a dissolução do primeiro parlamento eleito democraticamente e pedem a anulação das emendas constitucionais impostas pela Junta Militar no último dia 17, que limita a autoridade do novo presidente, que passaria a dividir o poder com um grupo de generais.

No momento, para chegar à praça há duas fileiras de uma barricada formada por civis. Na primeira é necessário mostrar algum documento de identidade e na segunda os homens são revistados. De cima de um palanque, pessoas entoam músicas de protesto contra a Junta Militar que são repetidas pelas milhares de pessoas que lotam a praça.

A cidade está repleta de soldados armados, tanques e ruas fechadas pelos militares. Parte da população fala até mesmo na possibilidade de um golpe de estado. Shafiq continua anunciando vitória e Morsi também. Nesse momento decisivo e extremamente delicado, restam apenas dúvidas e incertezas: afinal, Mubarak está vivo ou morto? Quem vai levar as primeiras eleições presidenciais no Egito?

E enquanto a praça segue lotada, nas outras regiões da cidade a vida continua igual, ou talvez um pouco mais parada. Em Al-Qarafa, conhecida como a Cidade dos Mortos, cemitério onde vivem hoje 500 mil pessoas – vivas – entre as tumbas, os moradores olham atônitos os turistas que chegam. A alguns quilômetros dali, nas Pirâmides de Giza, o senhor que leva turistas para andar de camelo tem até tempo de rezar. Nesse tempo de incertezas e calor no Egito são poucos os que se atrevem a vir visitar os templos faraônicos.

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